Requiem

“No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar ”

[Stuart Strindberg]

 

   Estamos presos à vida. Saramago escreveu em linhas perdidas em sua cruzada já cansada pelas respostas. Não queremos todos respostas?

   Um céu azul, um oceano sem som, refletindo o mesmo céu do princípio da frase. Um avião passa após uma nuvem em forma de pêra.

   Eu volto para minha janela, a queda vem como num tombo, tropeço meu olhar nas folhas de um carvalho, um bem velho que meu pai plantou em 87.

   Terça-feira. Primavera, choveu a madrugada toda.

   As toalhas são pretas. Minha mãe toma um café sentada, olhando para a parte dos fundos do quintal. Meu pai segura uma caneca de chá, encostado na coluna de concreto da casa antiga.

   É um dia de silêncios, frio, vazio, com ventos gelados invadindo tudo, o quintal, a sala, ressaca o cabelo, toca os ombros. Esfria a ponta do nariz.

   Emmy ficava perto daquela coluna. Sentava e encostava nela. Pegava um livro do Tio Patinhas, comia biscoitos de creme e lá ficava até a revista acabar. Isso foi há muito tempo, quando a neblina acordava a manhã antes do Sol. Ela se foi, no dia de hoje, anos atrás.

   Em 1993 … Tudo parecia menos confuso.

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2 Respostas para “Requiem”

  1. Ana Disse:

    depois da chuva vem o sol.

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